Biologia celular e genética: contribuições latino-americanas

Livro resgata encontro de cientistas realizado no Vaticano no ano passado. Pesquisadores do Instituto D’Or contribuíram com capítulo sobre a biologia do vírus Zika.

Em outubro de 2017, cientistas da América Latina estiveram reunidos no Vaticano para um encontro com pesquisadores da Pontifícia Academia de Ciências sobre biologia celular e genética. A reunião, que contou com a participação de pesquisadores latino-americanos radicados na região e também nos Estados Unidos e na Europa, rendeu agora a publicação de um livro, Cell Biology and Genetics, disponível gratuitamente para download. Cientistas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stevens Rehen e Pítia Ledur assinam um capítulo sobre a biologia do vírus Zika e seus impactos sobre o desenvolvimento do sistema nervoso humano.

Apesar de ter sido descoberto em 1947 na África, o vírus Zika não foi alvo de muitos estudos até recentemente, quando causou surtos nas ilhas Yap e no Gabão e, depois, na Polinésia Francesa e no Brasil. Por aqui, o vírus se espalhou depressa e esteve associado a um grande aumento no número de casos de microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas durante a gravidez. A comunidade científica brasileira reagiu rapidamente, e a equipe do Instituto D'Or e UFRJ teve papel crucial na identificação dos mecanismos como o Zika infecta as células cerebrais. “Foi gratificante apresentar conhecimento científico gerado no Brasil dentro do Vaticano”, conta Rehen.

Além do relato sobre as pesquisas sobre o Zika, compõem o livro capítulos sobre outros temas em biofísica, genética, sinalização celular, neurobiologia e biomedicina, conforme as apresentações realizadas pelos pesquisadores no encontro presencial ocorrido na sede da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano. O evento foi realizado em parceria com a Academia de Ciências da América Latina. Além de Stevens Rehen, também representaram o Brasil no encontro o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, e os cientistas Elibio Rech e Vanderlei Bagnato, membros da ABC.