Dia Nacional da Imunização

Em meio a uma queda na cobertura vacinal do país, entenda por que a imunização é essencial para a saúde nacional

Amanhã, 09 de junho, é o dia Nacional da Imunização. A data foi criada para conscientizar a população sobre a necessidade de manter as vacinas em dia, diminuindo o risco de várias doenças graves como sarampo, caxumba, poliomielite, entre outras. Apesar do nosso Programa Nacional de Imunizações ser referência pela quantidade e gratuidade de vacinas oferecidas, o Brasil vem apresentando uma queda na cobertura da imunização, fator que envolve vários aspectos como os movimentos antivacina, informações não confiáveis e uma distribuição desigual de recursos.

A vacinação foi uma descoberta revolucionária para a qualidade de vida da população e para os Estados. Prevenir doenças oferece um custo muito mais baixo do que tratar enfermidades avançadas e esse benefício se caracteriza tanto para os governos como para as pessoas, que mesmo depois de curadas podem apresentar sequelas para o resto da vida devido a uma ocorrência grave na saúde. Atualmente, nosso sistema público oferece gratuitamente 27 vacinas para todas as faixas etárias da população, entre elas se encontram a imunização contra sarampo, caxumba, rubéola, tétano, tuberculose, febre amarela, difteria, coqueluche, poliomielite, influenza e HPV.

Segundo dados do Ministério da Saúde, as mortes por doenças infeciosas e parasitárias, que representavam 45% dos óbitos totais no Brasil de 1930, em 2010 estavam reduzidas a 4%, resultado obtido graças às políticas de vacinação. O problema é que, a partir de 2011, foi observada uma queda na cobertura vacinal, fator que trouxe à tona doenças consideradas erradicadas, como sarampo e coqueluche. Diante da (re)emergência dessas ameaças à saúde nacional e internacional, cientistas, médicos e jornalistas unem esforços para informar a população sobre a indispensabilidade da imunização, ao mesmo tempo que buscam entender por que estamos vivendo esse retrocesso na saúde.

As causas são variadas, mas entre elas a que mais preocupa os profissionais da saúde são os movimentos antivacinação, por se tratar de um movimento ideológico que vem prestanto um verdadeiro desfavor as sociedades dos Estados Unidos e da Europa. Listado esse ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das maiores ameaças à saúde no mundo, o movimento contra a vacinação possui vertentes religiosas e políticas em sua fundamentação, mas é também fortemente apoiado por falsas informações sobre os efeitos e o papel da imunização. No Brasil, estudiosos acreditam que esse movimento só é possível graças ao sucesso da vacinação, tendo em vista que a população aderente à ideologia é mais jovem e por isso não conviveu com os males das doenças como a poliomielite. “Ocorre, então, uma diminuição da percepção do risco. Como a doença não circula mais, as pessoas param de entender o perigo. Se elas não conseguem ver a doença parece menos importante para elas, como é o caso da pólio”, afirma o médico infectologista José Cerbino, pesquisador da Fiocruz e professor da Pós-Graduação em Ciências Médicas do IDOR.

Segundo o médico, o que deve ser mais reforçado é a informação legitimada sobre a saúde, de forma que esses movimentos não possuam espaço para crescimento no país. “O reforço da informação é essencial para conter a ressurgência de epidemias já erradicadas. A queda na cobertura vacinal está sendo observada não apenas no Brasil, como em vários países”, comenta o especialista. Vale ressaltar que, no caso nacional, além dos movimentos antivacinação, já possuímos outros problemas estruturais que dificultam a cobertura da imunização, como é o caso da distribuição desigual das vacinas entre os municípios do país. Esses problemas de gestão, embora igualmente prioritários, não devem desviar a atenção da necessidade de uma comunicação mais efetiva com a população. Essa comunicação deve ser feita em todos os níveis, através da mídia e principalmente através das Unidade Básicas de atendimento, de forma que a vacinação seja um esforço coletivo e não apenas uma imposição do Estado.

Revivendo o passado
Considerando o contexto de retrocesso que vivemos na atualidade, a História pode nos ensinar uma preciosa lição acerca dos processos de imunização no país. Em 1904, o Rio de Janeiro convivia com sérios problemas de saúde pública, entre eles doenças como tuberculose, febre amarela, varíola, malária e cólera. Para garantir a melhor qualidade de vida da população, o então diretor geral de Saúde Pública, Oswaldo Cruz, implementou uma série de regras burocráticas e ações de saúde invasivas que forçavam a população a ser vacinada. Apesar da boa intenção, a falta de comunicação e conscientização sobre a importância da vacina culminou em uma revolta civil, fomentada pelo descontentamento do povo com as medidas autoritárias do governo. O evento foi conhecido como a Revolta da Vacina, e durante seis dias instalou um caos que resultou em muitas mortes, depredações e violências na cidade.

O que podemos tirar do caso, porém, é que mesmo em momentos em que a ignorância se mostra uma forte inimiga da saúde pública, a melhor forma de vencê-la é através da conscientização coletiva, de forma que esse esforço não represente uma segmentação entre o conhecimento especializado e as crenças da sociedade, mas sim uma tarefa comum na promoção da saúde nacional.