Empreendedorismo em saúde: Brasil x Israel

Segunda edição do Open D’Or Talks debate tendências no setor e apresenta programas que visam facilitar a chegada das inovações ao mercado.

Brasil e Israel são países com histórias, tamanhos e tradições bem diferentes. Isso se reflete, também, na forma como cada um deles encara a inovação. Na quinta-feira (28/2), a segunda edição do Open D’Or Talks reuniu as visões dos dois países sobre o empreendedorismo tecnológico em saúde. Para começar, Rafael Marciano, gerente de programas de aceleração da Liga Ventures, apresentou levantamento realizado em 2017 sobre as startups brasileiras que atuam na área. Em seguida, a diretora de desenvolvimento de negócios da Israel Trade & Investment, Tamires Poleti, falou sobre como Israel enxerga e promove a inovação.

De cerca de 10 mil startups brasileiras que mapeou em 2017, a Liga Ventures identificou 263 atuantes na área da saúde. Entre as categorias de serviços ou produtos que oferecem, destacam-se os sistemas de gesto para hospitais, clínicas e consultórios; os devices de tecnologia avançada, aplicada, por exemplo, a métodos diagnósticos; e os sistemas de busca e agendamento de exames, consultas e procedimentos.

Segundo Marciano, as soluções apresentadas por essas pequenas empresas estão voltadas a três objetivos principais: o aumento da eficiência em toda a cadeia do atendimento em saúde, a maior integração entre os diferentes elos dessa cadeia (incluindo usuários, planos de saúde, hospitais, distribuidores e fabricantes de medicamentos e equipamentos) e o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para questões médicas.

Ele destacou, entre as tendências do mercado nessa área, o desenvolvimento de aplicativos para celulares e o acompanhamento do paciente para além das paredes dos hospitais. Nesse sentido, um desafio importante é gerenciar e interpretar a enorme quantidade de dados que são gerados a todo momento. Outra questão importante a se solucionar, segundo o palestrante, é a queda constante nas receitas dos planos de saúde, o que, em um futuro próximo, pode impactar a sustentabilidade dos hospitais.

Lugar de inovação

Apesar de ser mais jovem, muito menor e menos populoso que o Brasil, Israel certamente tem lições a ensinar quando se trata de promover um ambiente de inovação tecnológica. “Jerusalém foi a primeira cidade do mundo a ser 100% coberta por internet sem fio”, ilustrou Poleti. Esse é apenas um dos resultados de um projeto consolidado do governo que tem como meta fazer de Israel um destaque internacional em novas tecnologias.

Para a palestrante, o apoio governamental é um dos pilares do sucesso obtido por Israel nessa área. Além disso, a forte conexão entre academia e indústria ajuda a acelerar o processo de transformação de novos conhecimentos em novas aplicações. Particularmente no setor médico, Poleti contou que, recentemente, o governo israelense ofertou cerca de US$ 300 milhões para apoiar empresas da área de saúde digital. Entre as áreas de destaque onde esse montante foi investido estão a telemedicina, a realidade aumentada (por exemplo, para treinamento de cirurgiões) e as tecnologias não vestíveis, que permitem o monitoramento digital da saúde das pessoas mesmo que elas não carreguem consigo nenhum device.

Israel tem, hoje, cerca de 1.400 empresas de saúde – um número impressionante para um país cuja população é menor do que a do estado do Rio de Janeiro. Ainda assim, aposta fortemente na cooperação internacional para se sobressair comercialmente no contexto global. O ecossistema favorável à inovação atrai indústrias estrangeiras e consolida o país como polo de desenvolvimento de novas tecnologias. “Cerca de 350 centros de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas estão presentes em Israel”, contou Poleti.

Ainda segundo a palestrante, o Brasil é um dos países com que Israel tem interesse de promover parcerias para impulsionar a inovação – essa é a função dos escritórios da Israel Trade & Investments presentes no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Queremos fazer uma ponte entre o mercado brasileiro e Israel”, concluiu.