IDOR participa de encontro internacional de neurociências

Evento, realizado em Washington (EUA), reuniu especialistas para discutir cooperação em pesquisas sobre o cérebro.

Nos últimos dias 23 e 24 de julho, neurocientistas de 13 países se encontraram na sede da Academia Nacional de Ciências em Washington para uma reunião da Iniciativa Internacional do Cérebro (IBI, na sigla em inglês), criada em dezembro de 2017 para reunir especialistas no tema com o objetivo de coordenar, acelerar, disseminar e comunicar descobertas na área. A primeira ação do grupo será a criação de um levantamento global de projetos sobre cérebro, que foi pauta principal deste primeiro encontro.

Único representante brasileiro no evento, o neurocientista Roberto Lent, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ressalta a importância da iniciativa. “Se tivermos um inventário, saberemos quem trabalha em quê e onde. E, se houver espírito de colaboração, o IBI poderá viabilizar consórcios e convênios para compartilhamento de dados de pesquisa, por exemplo”, aposta. Durante os dois dias de encontro, os cientistas discutiram ferramentas para criar, manter atualizado e sustentar financeiramente o inventário global de projetos. A expectativa é que a comissão organizadora do evento publique, até setembro deste ano, um documento com as principais resoluções para guiar o trabalho.

A IBI é promovida pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos, em parceria com a Fundação Kavli, com sede na Califórnia. Entre os participantes estão, além de norte-americanos, cientistas de países como Inglaterra, Áustria, Coreia, Japão, Austrália, Argentina e Índia, entre outros. Para Lent, a neurociência brasileira tem muito a ganhar participando de uma iniciativa como esta. “Temos uma comunidade de neurociências com algum destaque, mas desorganizada. Não temos uma política estruturada para a área”, constata. “Então, a meu ver, seremos beneficiários dessa nova iniciativa”.

O especialista destaca a atividade da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento e, também, que o tema é foco de alguns Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). Além disso, algumas instituições de pesquisa brasileiras têm grupos voltados aos estudos do cérebro, incluindo, por exemplo, o IDOR e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

FOTO: Dan O'Shea/Flickr