Primeiro sentimos, depois JULGAMOS - 05/08/2008

Em 2 de agosto de 1939, quando avultava o espectro da Segunda Guerra Mundial, Albert Einstein escreveu ao presidente Franklin D. Roosevelt uma carta que ele sabia que poderia afetar o futuro da humanidade. O assunto era a possibilidade do desenvolvimento de armas nucleares. “Certos aspectos desta situação parecem exigir vigilância e, se necessária, uma rápida ação por parte do governo. Acredito, portanto, que é meu dever chamar sua atenção para os seguintes fatos e recomendações...”, escreveu Einstein.

As palavras do físico sintetizam os principais aspectos do julgamento moral: sentimento moral (preocupação com o desfecho da guerra); reconhecimento de um dilema moral (revelar ou não evidências científicas que poderiam levar a uma nova arma assustadoramente letal) e cálculo utilitário (mais vidas seriam poupadas se, como conseqüência, os Estados Unidos, e não a Alemanha, construíssem tal arma?). A decisão de escrever ou não aquela carta deve ter sido extremamente difícil.

Meio século depois, a neurociência cognitiva já pode explicar muitos dos mecanismos cerebrais que formam a base de tais julgamentos morais e deliberações éticas. Estudos empíricos examinaram questões tais como de que forma se constitui o senso de moralidade no cérebro de uma criança; de que maneira os diversos tipos de lesão cerebral afetam o julgamento moral; quais áreas do cérebro parecem estar em ação quando nos vemos diante de um impasse envolvendo questões morais que nos desnorteiam e que rumos seguem os pensamentos em meio a esses dilemas. Basta realizar uma busca na internet para “cérebro e moralidade” para ter uma idéia do quanto essa área de estudo é fértil e crescente.

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